Liberdade e Luta promove debate sobre a profissão artista

João Diego Leite
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Estudantes do curso de Teatro e Artes Cênicas da Faculdade de Artes do Paraná (FAP) participaram do debate sobre DRT, Censura e Organização Sindical, na última segunda-feira (21/5). O evento foi organizado pelo núcleo da Liberdade e Luta da FAP e o debate foi conduzido pelos artistas e militantes Jacqueline Takara e Vinicius Camargo.

Na abertura do evento, a estudante de artes cênicas Thalita Maia explicou que o objetivo da atividade era “discutir a realidade sobre a ADFP 293, mas também as condições de trabalho dos artistas e a censura que temos sofrido em exposições e peças de teatro”. De acordo com a estudante, “os artistas de São Paulo não foram convidados pela sua formação acadêmica, mas por atuarem politicamente no meio artístico”.

A ideia de realizar a atividade surgiu com a campanha falaciosa dos Sindicatos dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão (Sated) do país inteiro, sobre o julgamento da APDF 293 no Supremo Tribunal Federal (STF).  De acordo com os Sateds, inclusive o do Paraná, o julgamento desse processo colocaria um fim na profissão e nos sindicatos de artistas.

Essa ideia foi desmitificada no início do debate. Em nenhum momento a APDF 293 coloca em pauta a retirada de direitos trabalhistas, aposentadoria ou o fim dos sindicatos. O processo pauta o fim da prerrogativa dos Sated´s de realizar banca para atestar quem pode ou não atuar profissionalmente como artista.

Segundo Jacqueline Takara, que também é suplente da direção do Sated´s-SP e militante da Esquerda Marxista, o motivo da divulgação dessa notícia falaciosa é esconder o atrelamento desses sindicatos com as taxas cobradas pelas bancas. Em todo o país, as bancas são um meio de garantir o funcionamento do aparato sindical. Como explica Jacqueline, “essas entidades vivem das taxas, não da contribuição dos filiados, isso colabora para uma entidade afastada da base e burocratizada”.

A militante da Esquerda Marxista combate práticas que afirma não ser responsabilidades do sindicato. Segundo ela:

“O sindicato deve lutar para fortalecer a organização e a unidade dos trabalhadores na luta pelo cachê teste e pelo piso salarial, por exemplo. A entidade não pode ser um órgão fiscalizador da arte, mas uma organização de defesa dos trabalhadores”.

O outro debatedor, o ator e músico Vinicius Camargo, falou sobre as diversas modalidades da arte e sobre a quantidade de artistas populares, que vem produzindo arte sem conhecer grandes mestres do teatro, por exemplo. Dizer quem pode ou não fazer arte é algo extremamente elitista, principalmente em um país no qual a grande parte da população não tem acesso à educação.

Vinicius também falou sobre a diferença da categoria dos artistas, que é composta por trabalhadores e patrões. “Enquanto uns não ganham o piso, temos pessoas como Jô Soares ou atores globais com empresas. Como no Sated o crivo não é de classe social, mas ter ou não DRT, trabalhadores e empresários podem fazer parte desse sindicato”, afirmou o militante da liberdade e luta.

Um ponto abordado tanto pelos debatedores quanto pelos presentes foi a necessidade de disputar os espaços sindicais e estudantis. Atualmente a Faculdade de Artes do Paraná não possui um Centro Acadêmico de Artes, que teria a tarefa de organizar esse tipo de atividade, além da luta por melhorias na FAP, defendendo a educação pública para todos.

Em todas as falas da plenária não houve desacordo com as questões centrais do debate, como o apoio a ADFP 293. Ao finalizar a atividade, a militante Thalita Maia afirmou a necessidade de haver mais debates como esse dentro da universidade.

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